Era de aquário e se quebrou /por Orlando Fonseca
"Quem nasceu em meados do século passado, como eu, deve ter ouvido, em algum momento do final dos anos 60, o trecho da canção em inglês:"When the moon is in the Seventh House... This is the dawning of the age of Aquarius / Aquarius! / Aquarius ! Trilha sonora do filme
Hair, fez sucesso, ao repercutir mundialmente, a crença hippie de que depois do ano 2000 entraríamos na "era de aquario" e viveríamos um período de paz, prosperidade e mentes liberadas. Por esta época também assombrava nas salas de cinema o filme 2001:
Uma Odisseia no Espaço, ficção científica, realização do cineasta Stanley Kubrick, cujo roteiro escreveu em pareceria com Arthur C. Clark, autor da obra do livro.
Há de se lembrar também do
Expresso 2222
, do Gil, que anunciava a certa altura: "Dizem que tem muita gente de agora/Se adiantando, partindo pra lá/ Pra 2001 e 2 e tempo a fora/ Lá pelo ano 2000 fica a tal/ Estação final do percurso-vida". Tudo isso era parte de uma expectativa com que se veria na virada do século. Na primeira metade do século 20, vivemos a duas guerras mundiais, e na década de 60 experimentava-se o inicio da guerra fria. O século 19 já nos tinha legado a crença numa era de progresso científico e tecnológico. Contudo, havia ainda no imaginário geral a forte impressão de que se aproximava o fim de mais um ciclo da era cristã, marcada por eventos grandiosos a cada 2000 anos, desde o nascimento de Cristo. Associava-se a esta expectativa a profecia de Nostradamus que, em uma de suas centúrias, dizia que o fim do mundo se daria na noite 31 de dezembro de 1999.
Lembrei disso porque, sábado passado, 11 de setembro, foi o aniversário de inauguração do século 21. Há nove anos, descobrimos que a Era de Aquário foi por água abaixo.
Entendemos felizmente o que queria dizer 2001 - uma odisséia no espaço- nem tão sideral assim. Contra uma super-potência equipada com a mais alta tecnologia, um ataque sem armas atômicas- a guerra minimalista.
Nada de alvos estratégicos, mas alvos simbólicos.Não uma guerra mundial, mas um espetáculo global, espalhando o medo- terrorismo conceitual, tirando o sossego de todo mundo. A tal da pós-modernidade, me lembra o colega Ivan Zolin. Depois disso veio uma grande crise econômica mundial, que por aqui foi uma marolinha, nas palavras não proféticas do presidente Lula - mas nada que pudesse representar a prosperidade que poderá vir com o pré-sal ? Só o tempo dirá, e que
não podemos perder é a expectativa, que se renova sempre, como naquela canção do Fifth Dimension, a cada dia, com o nascer do sol."
Texto, jornal Diário de Santa Maria , 14 de setembro 2010.
OBS: ESTE AUTOR É QUEM ESCOLHE O TEMA DA REDAÇÃO DA UFSM.
espero que gostem , beijo !